domingo, 29 de maio de 2016

SRCES IRACEMA MEU GRANDE AMOR (SÃO PAULO/SP)

Enredo 2017

Iracema em um Santuário de Fé


Introdução

Sob a luz do carnaval, o S.R.C.E.S. Iracema Meu Grande Amor vem  desvendar a fé da gente brasileira. Gente como a gente, que sonha e acredita sempre no melhor. Gente que "levanta as mangas" e vai à luta. Gente que não tem medo de apostar, e trilhando o caminho da luz, busca na fé o caminho para vencer. Afinal, de onde vem a fé desta gente?
Hoje com toda devoção mina escola gana a Vila Esperança, fazendo dela o seu caminho e altar, onde em romaria e peregrinação segue adiante nesta procissão, feliz e crente de que a fé não costuma falhar.
E a índia do samba, embalada pela fé de sua comunidade, se inspira em um dos grandes sucessos de Clara Nunes, e em oração canta a fé das raças brasileiras, dentro deste santuário chamado Brasil.

Parte I - Afinal, de onde vem a fé desta gente?

Andar em busca da fé eu vou...!
Brasil, terra abençoada e pátria amada. Abençoado por Deus, e bonita por natureza. Em sua história, alegrias, dores e outras estórias de um povo bravo sofredor.
Independente das opções religiosas, povos sempre estão a crer e se apegar a algo ou alguém, a fé une essa nação, e o poder dos deuses nos dá força para acordar e lutar por um Brasil cada vez melhor. Mas afinal, de onde vem a fé desta gente?
Hoje na festa do carnaval, na união do sagrado e profano, invocamos todos os seres iluminados, espirituais ou matérias, e convocamos nosso símbolo maior, a cabocla Iracema, que se transforma em divindade, e nos conta a saga das religiões pelo Brasil.
Entrando neste lugar sagrado, Iracema desperta Tupã, que se manifesta em som de trivão. Sua força e fúria, segundo o mito dos índios guaranis, dão origem a vida e criação.
Segundo a lenda, Tupã criou a humanidade em uma cerimônia elaborada, formando estátuas de argila do homem e da mulher com uma mistura de vários elementos da natureza. Depois de soprar a vida nas formas humanas, deixou-os com os espíritos do bem e do mal e partiu. Nasceu assim, a "primeira religião brasileira", que se dá através dos índios que cultuavam o Deus Tupã.
Tupã de seu altar, vê no século XVI, de além-mar, a chegada em seu solo Tupiniquim, treze caravelas de origem portuguesa. Elas aportam em terras brasileiras com seus navegadores,
que no dia 26 de abril de 1500, celebram a primeira missa no Brasil, simbolizando o início do
cristianismo numa terra habitada por milhares de indígenas.
Neste processo de exploração, a fé branca dos cristãos sente a necessidade de catequizar aquele índio selvagem e impõe a sua cultura afim que ele apague qualquer traço pagão existente e trilhe o caminho de luz.
Mais tarde, com a vinda dos escravos trazidos da Mãe África, surge um novo culto advento da escravidão: O Candomblé.
Os negros, bravos e valentes, acorrentados e desiludidos trabalhavam e sofriam na senzala. Mesmo com toda dor, buscavam na fé de seus orixás a força contra os senhores brancos.
O tempo foi passando, e os ventos do oriente sopraram-se através dos imigrantes, novas crenças territoriais que se fundiram a nossa brasilidade. Religiões como o Budismo, Islamismo e Hinduísmo surgiram no Brasil e com o tempo, foram criando características singulares em relação ao de outros países.

Parte II - Da União das Raças a um Santuário de todas Fés

Ecoa este Brasil Varonil. Diante de tantas culturas juntas, o país conseguiu reunir e difundir diversas festas, crenças e tradições. Além disso, difundiu-se no país, diversas supertições, objetos e crendices populares que para a população significam proteção e fé. Amuletos, patuás e banhos de purificação foram assim usados como consolo para quem acreditava que poderia proteger sua casa, a família e a si próprio, contra forças espirituais negativas, e diversos outros fins.
Assim, a mistura de tantas raças fez do Brasil o país de todos os Deuses e de todas as crenças. E ao celebrarmos cada religião, estamos celebrando automaticamente todas as festas religiosas que vieram oriundas de outras culturas também.
A maior festa nacional religiosa do Brasil vem do Pará. O Círio de Nazaré que teve origem em Portugal, foi introduzida no norte do país pelos padres jesuítas, no século XVII, e hoje reúne milhares de peregrinos que seguem em procissão pelas ruas do Pará.
Tipicamente folclórica, a Festa do Divino, é uma comemoração popular de rua. A mesma festeja um evento cultuado pela Igreja Católica, o Pentecostes, que é a descida do Espírito Santo na forma de línguas de fogo sobre os apóstolos. Como herança portuguesa, sobretudo açoriana, a Festa do Divino acontece depois de cinquenta dias após a Páscoa, e move diversos católicos de todo o Brasil.
A Bahia revela seus encantos através da Lavagem do Bonfim. Como dizem, "Quem tem fé, vai a pé". O cortejo é comandado por baianas com trajes típicos junto aos vasos com água de cheiro. Acredita-se que a festa se deu através dos escravos, que eram obrigados a lavarem a
igreja como parte dos preparativos para a festa do Senhor do Bonfim.
E quem nunca ouviu falar do Reisado ou Festa dos Santos Reis. O Reisado é de origem egípcia, considerada uma festividade profano-religiosa. Esse ato tão religioso, serve para relembrar a atitude dos Três Reis Magos que partiram para a procura do menino Jesus Cristo no seu nascimento para lhe presentear. E hoje no país move diversos peregrinos que seguem em procissão pelas ruas de seus estados.
E quem acha que a Festa Junina é apenas uma folia nordestina, está muito enganado. Os festejos juninos vieram lá da era colonial, onde os portugueses homenageavam os três santos católicos: São João, São Pedro e Santo Antônio. Com o tempo, e a junção de novas culturas, a festa se expandiu e hoje em dia move diversas etnias no país nos meses de junho e julho.
E não podemos esquecer daquele que abençoa os nossos terreiros de samba. Salve Jorge! Que da época do Império Romano protestou contra perseguição aos adeptos do cristianismo. E hoje tatuado ou no pendurado no peito, é sinônimo de proteção daqueles que dia após dia são como Jorge, guerreiros!
Muitas orações e romarias marcam as celebrações para Nossa Senhora Aparecida. Quem diria que através da visita de um português à cidade de Guaratinguetá, pescadores mobilizados com sua recepção, encontrariam a imagem daquela que hoje mobiliza a fé de diversos romeiros que clamam na cidade de Aparecida por milagres. É a devoção nas ruas do interior paulista... seja na chuva ou no sol, a esperança é a força desta gente.
Hoje, pedindo bençãos ao meu pavilhão, eu sou uma romeira sonhadora e com muita fé, caminho neste Santuário com meu manto em fantasia e faço do meu batuque minha oração. Senhor, rogai por nós, amém!

Enredo e desenvolvimento: Rodrigo Dias

Texto: Cris Fonseca e Rodrigo Dias

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